Lula exibe imagem religiosa durante discurso e faz declaração firme

Lula ergue imagem de Nossa Senhora em comício e fala sobre polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um momento que ganhou repercussão durante um ato de campanha em Belém, no Pará, na segunda-feira (28). Ao final do evento, o ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado, entregou ao presidente uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, que foi erguida por Lula diante do público.

A cena ocorreu em meio à discussão política envolvendo Nossa Senhora Aparecida e uma informação que circulou nas redes sociais associando Flávio Bolsonaro (PL) à suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

Lula fala sobre Nossa Senhora Aparecida

Durante o discurso, Lula defendeu o respeito às diferentes religiões e afirmou que, enquanto estiver na Presidência, não permitirá o que chamou de desrespeito a Nossa Senhora Aparecida.

A declaração ocorreu poucos dias depois de o tema chegar à Justiça Eleitoral. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que apresentavam como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Na decisão, Mendonça classificou esse núcleo da informação como inverídico. Não há registro de proposta de Flávio nesse sentido. O projeto citado nas publicações foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli e acabou arquivado.

Decisões judiciais mudaram o cenário

A disputa judicial, porém, teve novos capítulos nos dias seguintes. Em 27 de setembro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da decisão do TSE em relação a uma publicação do humorista Antônio Tabet.

Segundo a decisão de Dino, a medida preservava a liberdade de expressão e religiosa daqueles que defendem a manutenção da lei que transformou Nossa Senhora Aparecida em Padroeira do Brasil.

Na segunda-feira (28), entretanto, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu, de forma cautelar, a determinação relacionada às publicações. O caso foi encaminhado para análise colegiada, enquanto o TSE também marcou julgamento sobre o tema.

Por isso, a situação jurídica ainda estava em evolução nesta reta final da campanha. A controvérsia não altera o ponto central: o projeto de 2007 não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.

Lula também cita Igreja Batista da Lagoinha

No mesmo discurso em Belém, Lula criticou a Igreja Batista da Lagoinha e mencionou o pastor André Valadão ao falar sobre sua relação com Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master.

A relação entre Valadão e Vorcaro já havia sido mencionada publicamente. Segundo relatos publicados pela imprensa, Vorcaro e familiares frequentavam a igreja, enquanto Valadão também teve contato com integrantes da família. O pastor afirmou anteriormente que sua participação em uma aproximação entre Vorcaro e o deputado Nikolas Ferreira ficou restrita à interlocução e negou envolvimento com negócios do Banco Master.

O assunto também ganhou atenção após informações sobre movimentações financeiras envolvendo uma unidade da Lagoinha em Belo Horizonte. Segundo reportagem da Folha, um relatório do Coaf registrou operações consideradas atípicas relacionadas à unidade administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A existência de movimentações classificadas como atípicas, contudo, não equivale, por si só, a uma conclusão definitiva de irregularidade.

Reta final da campanha no Pará

Além da questão religiosa, Lula aproveitou o ato para tratar da disputa pelas duas vagas do Senado pelo Pará. O presidente defendeu uma articulação entre candidatos aliados e argumentou que a divisão dos votos poderia influenciar a disputa.

A agenda ocorreu na última semana antes do primeiro turno, período em que os candidatos intensificaram atos públicos e entrevistas em diferentes regiões do país.

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré entregue a Lula acabou se tornando um dos registros mais comentados do evento. O gesto ocorreu justamente enquanto a disputa eleitoral também era marcada pela circulação de informações sobre religião nas redes sociais e por decisões judiciais envolvendo os limites entre propaganda, liberdade de expressão e desinformação.

Com o primeiro turno se aproximando, o episódio reúne três temas que passaram a ocupar espaço simultaneamente na campanha: religião, disputa política e decisões da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.

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