Flávio Bolsonaro vota pelo fim da escala 6×1, mas ausência nos debates gera críticas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, votou a favor da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 durante a votação realizada na noite desta quarta-feira (14), no Senado Federal. Apesar de apoiar a medida no momento decisivo, o parlamentar não participou das sessões anteriores de discussão do texto, fato que chamou a atenção durante a tramitação.
A proposta foi aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra, segundo os dados divulgados sobre a votação.
Flávio votou a favor após faltar aos debates
Segundo as informações publicadas, Flávio Bolsonaro não registrou presença nas cinco sessões destinadas à discussão da proposta, embora houvesse possibilidade de participação remota. O senador marcou presença no sistema durante a votação, quando cumpria compromissos de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
A ausência nas etapas anteriores abriu espaço para questionamentos sobre a participação do candidato em uma discussão que afeta diretamente milhões de trabalhadores brasileiros.
O voto favorável ocorreu um dia depois de Flávio anunciar publicamente que apoiaria a proposta. A mudança de posição ampliou a atenção sobre sua atuação e sobre as ressalvas que vinha apresentando em relação ao fim da escala atual.
Senador defendia jornada de trabalho flexível
Antes de anunciar o voto favorável, Flávio Bolsonaro havia defendido um modelo de jornada mais flexível, negociado diretamente entre empregadores e trabalhadores.
A proposta permitiria maior liberdade para definir a quantidade de horas trabalhadas, com remuneração proporcional à jornada acordada. Dependendo do formato adotado, uma redução das horas poderia resultar também em diminuição salarial.
Em agosto, durante um encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o senador apresentou essa alternativa como opção à extinção da escala 6×1.
De acordo com informações atribuídas a aliados, Flávio pretende defender mudanças nesse sentido após as eleições. Assim, embora tenha votado a favor da PEC, suas manifestações anteriores indicam que ainda existem divergências sobre como a nova jornada deverá funcionar.
Erika Hilton critica possibilidade de mudanças futuras
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma das principais defensoras da redução da jornada de trabalho no Congresso, criticou a possibilidade de alterações futuras na proposta.
A parlamentar reagiu a informações de que aliados de Flávio estariam confiantes em uma possível vitória eleitoral e poderiam tentar modificar decisões aprovadas durante o atual período legislativo.
A discussão evidencia que o debate sobre a escala 6×1 envolve não apenas a votação da proposta, mas também as regras que serão aplicadas e a possibilidade de mudanças posteriores.
O que acontece após a aprovação da PEC?
O fim da escala 6×1 é defendido por parlamentares que argumentam que mais tempo de descanso pode favorecer a saúde, a convivência familiar e a qualidade de vida dos trabalhadores.
Por outro lado, representantes de setores empresariais apontam possíveis dificuldades relacionadas aos custos, à contratação de funcionários e à reorganização dos turnos.
A aprovação no Senado representa uma etapa importante, mas a mudança efetiva depende do cumprimento de todos os procedimentos legislativos aplicáveis.
O voto favorável de Flávio Bolsonaro acrescenta um novo elemento ao debate eleitoral. A discussão agora se concentra nos próximos passos da proposta e nas condições que poderão definir como a jornada de trabalho será organizada no país.
