Eduardo Tagliaferro comemora decisão da Justiça italiana e dispara: “Aqui a justiça não é falha”
O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro, comemorou publicamente a decisão da Justiça italiana que rejeitou o pedido de extradição apresentado pelo Brasil. Após o resultado, ele também recuperou o direito de circular livremente pelo território italiano, com a determinação de devolução dos documentos de viagem que haviam sido recolhidos.
Em uma publicação nas redes sociais, Tagliaferro reagiu à decisão com uma frase que chamou a atenção: “Livre, aqui a justiça não é falha.” Na mesma mensagem, agradeceu aos brasileiros que acompanharam seu caso e demonstraram apoio durante o processo.
A manifestação foi divulgada após a decisão da Terceira Seção Penal da Corte de Apelação de Catanzaro, no sul da Itália, registrada em 22 de outubro de 2026. O episódio ganhou repercussão por envolver questionamentos sobre a condução de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Justiça italiana rejeitou pedido de extradição
A Corte de Apelação de Catanzaro considerou que havia preocupações relacionadas às garantias de imparcialidade e ao direito de defesa no procedimento brasileiro contra Tagliaferro. Com esse entendimento, rejeitou a solicitação para que ele fosse entregue às autoridades do Brasil.
Além disso, os magistrados determinaram a devolução dos documentos de viagem e a retirada da proibição de deixar a Itália. A decisão representa uma mudança importante na situação do ex-assessor, que estava submetido a restrições desde o andamento do processo de extradição.
Tagliaferro vive na Itália desde 2025 e possui cidadania italiana. Em outubro daquele ano, chegou a ser detido temporariamente durante os procedimentos relacionados ao pedido brasileiro, mas foi liberado posteriormente, permanecendo sujeito a medidas restritivas.
Entenda as acusações contra o ex-assessor
O pedido de extradição teve origem em uma investigação relacionada ao vazamento de mensagens e informações internas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), período em que Alexandre de Moraes presidia a Corte.
Tagliaferro ocupou uma função ligada ao enfrentamento à desinformação no tribunal e, posteriormente, passou a divulgar informações sobre procedimentos internos. A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia contra ele, atribuindo-lhe supostas práticas criminosas, incluindo violação de sigilo funcional, coação no curso do processo e obstrução de investigação.
A Primeira Turma do STF recebeu a denúncia em novembro de 2025, permitindo o prosseguimento da ação penal. Tagliaferro contesta as acusações e sua defesa sustenta que as informações divulgadas tinham relevância pública.
É importante destacar que a decisão italiana não equivale a uma absolvição das acusações apresentadas no Brasil. O tribunal europeu analisou as condições legais para a extradição, e não o mérito completo da ação penal que tramita no Supremo.
Questionamentos sobre a atuação de Alexandre de Moraes
Entre os pontos considerados pela Justiça italiana estão questionamentos sobre a participação de Alexandre de Moraes em diferentes etapas do procedimento contra o ex-assessor.
Na avaliação dos magistrados, a concentração de atribuições relacionadas à investigação e à condução do processo levantou dúvidas sobre as garantias de imparcialidade exigidas para autorizar a extradição.
A defesa de Tagliaferro recebeu o resultado como uma confirmação dos argumentos apresentados durante o julgamento. O advogado Eduardo Kuntz afirmou que a decisão reconheceu problemas relacionados ao direito de defesa e à atuação das autoridades brasileiras.
Essa interpretação, porém, representa a posição dos advogados. A decisão italiana não comprova automaticamente todas as acusações feitas pelo ex-assessor contra Moraes.
Caso ainda pode ter novos desdobramentos
Apesar da vitória na Justiça italiana, o caso ainda pode apresentar novos capítulos. Existe a possibilidade de recurso à Corte de Cassação, instância superior do sistema judicial da Itália.
Também não há impedimento automático para que a ação penal contra Tagliaferro continue tramitando no Brasil. A rejeição da extradição significa que, nas condições analisadas, a Justiça italiana não autorizou sua entrega às autoridades brasileiras.
Por enquanto, o ex-assessor permanece na Itália sem as restrições de deslocamento anteriormente impostas. Sua comemoração nas redes sociais ampliou a repercussão de uma decisão que colocou novamente em debate questões como imparcialidade judicial, direito de defesa e cooperação jurídica internacional.
