Rogério Marinho oficializa candidatura ao comando do Senado e tenta barrar reeleição de Alcolumbre
O senador Rogério Marinho (PL-RN) oficializou sua candidatura à presidência do Senado Federal e deu início a uma nova etapa da articulação da oposição para disputar o comando da Casa em fevereiro de 2027. O anúncio foi realizado na quarta-feira (4), durante uma reunião em Brasília que reuniu aproximadamente 33 parlamentares e contou com representantes de diferentes partidos.
Com o apoio do Partido Liberal e do Novo, Marinho pretende ampliar sua base de sustentação para enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que também trabalha pela permanência no cargo. A movimentação ocorre após o crescimento da bancada do PL nas eleições de outubro, resultado que fortaleceu a presença da direita na próxima legislatura.
Rogério Marinho afirma ter mais de 40 votos
Durante o anúncio da candidatura, Marinho afirmou acreditar que já possui mais de 40 votos para conquistar a presidência do Senado. Apesar da projeção, o parlamentar precisará de pelo menos 41 votos para vencer a disputa, considerando os 81 integrantes da Casa.
O PL terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura, com 29 parlamentares, enquanto o Novo contará com três representantes. Mesmo somados, os números ainda não garantem a maioria necessária, o que torna indispensável a negociação com outras legendas.
Entre os partidos que podem influenciar o resultado estão PP, Republicanos, MDB, PSD e Podemos. A estratégia da oposição consiste em conquistar apoio além das bancadas que já manifestaram alinhamento com Marinho.
O senador também defendeu mudanças na condução institucional da Casa e afirmou que pretende fortalecer a autonomia do Legislativo, especialmente nas relações com o Executivo e o Judiciário.
Tereza Cristina pode mudar os rumos da disputa
Um dos principais obstáculos para a candidatura de Marinho está dentro do próprio campo político. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, também manifestou interesse em disputar a presidência do Senado.
A parlamentar possui influência entre representantes do agronegócio e mantém diálogo com setores do centro político. Por isso, uma candidatura independente poderia dividir os votos de senadores que desejam uma mudança no comando da instituição.
Marinho afirmou que mantém conversas com Tereza Cristina e demonstrou confiança na possibilidade de um entendimento antes da votação. Segundo ele, os dois compartilham objetivos políticos e poderão convergir em torno de uma candidatura única.
Tereza, entretanto, ainda não anunciou desistência. A definição sobre a participação da senadora deverá ser um dos pontos centrais das negociações nos próximos meses.
Impeachment de ministros do STF e anistia entram no debate
Outro aspecto importante da candidatura envolve a relação entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF). Marinho afirmou que pretende garantir o cumprimento das competências constitucionais do Legislativo e não descarta a análise de denúncias fundamentadas contra ministros da Corte.
O senador, porém, declarou que sua candidatura não está baseada exclusivamente na possibilidade de impeachment. Segundo ele, eventuais procedimentos precisam respeitar a Constituição e seguir os critérios legais.
A anistia aos condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 também aparece entre as pautas defendidas pelo parlamentar. Marinho pretende abrir espaço para que projetos relacionados ao assunto sejam discutidos e votados no Congresso.
Essas propostas representam algumas das principais bandeiras da oposição e podem ganhar espaço caso o senador consiga assumir a presidência da Casa. Isso não significa, entretanto, que uma eventual vitória resulte automaticamente na aprovação da anistia ou na abertura de processos contra ministros do Supremo.
Alcolumbre articula apoio para continuar na presidência
Enquanto Marinho amplia as negociações, Davi Alcolumbre trabalha para manter o apoio de partidos do centro e de parlamentares ligados ao governo Lula. O atual presidente possui interlocução com diferentes bancadas e utiliza sua experiência no comando do Senado para fortalecer sua tentativa de recondução.
As articulações também envolvem a distribuição de funções estratégicas dentro da Casa. A escolha do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, por exemplo, ocorreu em meio às movimentações políticas que antecedem a eleição.
A votação está prevista para 1º de fevereiro de 2027 e será secreta. Por isso, manifestações públicas de apoio não representam necessariamente compromissos definitivos de voto.
Rogério Marinho já disputou a presidência do Senado em 2023, quando recebeu 32 votos e foi derrotado por Rodrigo Pacheco, que conquistou 49. Agora, com uma bancada maior do PL e novas alianças em negociação, o senador tenta chegar ao comando da instituição.
Apesar da mobilização demonstrada no lançamento da candidatura, o resultado permanece indefinido. A capacidade de reunir apoios de outras legendas e resolver a disputa interna com Tereza Cristina será determinante para os próximos passos da campanha.
