Morre o jornalista Luiz Gutemberg aos 88 anos; imprensa brasileira perde um de seus grandes nomes

O jornalismo brasileiro está de luto pela morte de Luiz Gutemberg, jornalista, escritor e analista político que construiu uma carreira de mais de sete décadas na comunicação nacional. Ele morreu aos 88 anos, em Brasília, após complicações provocadas por uma pneumonia. A morte foi confirmada pela família e provocou manifestações de pesar entre colegas, escritores e entidades ligadas à imprensa.

Gutemberg estava internado no Hospital do Coração, na capital federal, onde recebia tratamento para uma infecção pulmonar. Ele completaria 89 anos no dia 24 de agosto. O jornalista deixa a esposa, Rosângela Bittar, cinco filhos e um legado marcado pela atuação no jornalismo, na literatura e na análise política.

Início da carreira no jornalismo

Nascido em Maceió, em Alagoas, em 24 de agosto de 1937, Luiz Gutemberg começou a trabalhar com jornalismo ainda muito jovem. Aos 16 anos, iniciou sua trajetória profissional na Gazeta de Alagoas.

Pouco tempo depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde participou da reformulação do Jornal do Brasil. O trabalho no tradicional veículo marcou uma das primeiras etapas de uma carreira que posteriormente o levaria a alguns dos principais meios de comunicação do país.

Gutemberg também trabalhou nas revistas Manchete e Mundo Ilustrado. Em 1968, integrou a equipe responsável pelo lançamento da revista Veja. Anos depois, estabeleceu-se em Brasília, onde passou a comandar o escritório da publicação na capital federal.

Atuação na cobertura política

A política brasileira ocupou espaço central na trajetória profissional de Luiz Gutemberg. Ao longo das décadas, o jornalista acompanhou diferentes momentos da história nacional e se tornou conhecido por suas análises sobre os bastidores do poder.

Durante o governo de José Sarney, Gutemberg atuou como assessor especial da Presidência da República. A experiência permitiu que acompanhasse de perto um período importante da história política brasileira, marcado pelo processo de redemocratização após anos de regime militar.

Na televisão, também ganhou reconhecimento como comentarista e analista político. Entre suas experiências esteve a participação na TV Bandeirantes, onde acompanhou eleições, crises institucionais e acontecimentos que marcaram diferentes períodos da política nacional.

Carreira como escritor

Além do jornalismo, Gutemberg desenvolveu uma trajetória importante na literatura. O jornalista publicou livros que abordaram personagens e episódios relacionados à política e à imprensa brasileira.

Entre suas obras estão “Moisés, Codinome Ulysses Guimarães”, “O Jogo da Gata Parida” e “JB: A Invenção do Maior Jornal do Brasil”, lançado em 2023.

A produção literária ajudou a consolidar seu trabalho como pesquisador e observador da história política e jornalística do país.

Gutemberg também ocupava a cadeira número 8 da Academia Brasiliense de Letras e recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília, reconhecimentos ligados à sua contribuição cultural e profissional.

Esposa fala sobre últimos anos

Após a morte do jornalista, Rosângela Bittar relembrou aspectos da personalidade e dos últimos anos de vida do marido. Segundo ela, mesmo após receber o diagnóstico de Alzheimer, cerca de cinco anos atrás, Gutemberg manteve a curiosidade intelectual que marcou sua trajetória.

Um dos assuntos que mais despertava seu interesse nos últimos tempos era a inteligência artificial. De acordo com Rosângela, ele procurava estudar o tema, acompanhar as novidades e discutir novas possibilidades.

Mesmo durante a internação, o jornalista continuava falando sobre projetos e demonstrando entusiasmo por novas ideias.

Despedida em Brasília

O velório de Luiz Gutemberg foi realizado na Capela 10 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília. Familiares, amigos, jornalistas e representantes de instituições ligadas à comunicação participaram da despedida.

Nas manifestações de pesar, colegas destacaram sua inteligência, generosidade e dedicação ao jornalismo. Sua trajetória atravessou diferentes gerações e acompanhou profundas transformações na maneira de produzir e consumir informação.

A carreira de Gutemberg começou na época dos grandes jornais impressos e avançou pela televisão, pela literatura e por novas formas de comunicação.

Aos 88 anos, Luiz Gutemberg deixa uma contribuição importante para a história do jornalismo brasileiro. Seus livros, análises e experiências profissionais permanecem como parte da memória da imprensa e da política nacional.

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