Otoni de Paula fica fora da Câmara após mudança de posição política e apoio a Lula

Otoni de Paula perde reeleição após declarar apoio a Lula no primeiro turno

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) não conseguiu renovar o mandato na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. O parlamentar recebeu 19.364 votos no Rio de Janeiro e ficou fora da lista de eleitos para a próxima legislatura. O resultado ganhou repercussão porque ocorreu poucos dias depois de Otoni declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno.

A mudança de posicionamento chamou atenção pela trajetória política do deputado. Otoni construiu sua carreira com forte proximidade ao campo político ligado a Jair Bolsonaro, mas, durante a atual campanha, passou a defender publicamente o voto em Lula e afirmou que sua decisão também tinha relação com a oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

Otoni passou de 158 mil para 19 mil votos

A diferença entre as eleições de 2022 e 2026 foi expressiva. Na eleição anterior, Otoni recebeu 158.507 votos e garantiu uma cadeira na Câmara. Neste ano, terminou com 19.364 votos e não conseguiu retornar ao Congresso a partir de 2027.

Otoni já havia sido eleito deputado federal em 2018 e conquistado um novo mandato em 2022. O Portal da Câmara registra sua atuação como deputado na legislatura de 2023 a 2027 e mostra que ele está filiado ao PSD desde 2026.

A queda na votação, entretanto, não permite concluir que a declaração de apoio a Lula tenha sido, isoladamente, responsável pelo resultado. A eleição para deputado federal utiliza o sistema proporcional, no qual a distribuição das cadeiras também depende do desempenho dos partidos e federações, além da votação individual dos candidatos.

Mudança de posição ganhou repercussão

O anúncio de apoio a Lula ocorreu nos últimos dias antes da votação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Otoni afirmou que havia feito oposição intensa ao petista no passado, mas que posteriormente mudou sua avaliação sobre o presidente.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, o deputado declarou que votaria em Lula já no primeiro turno e reconheceu que sua decisão poderia trazer consequências políticas. Ele também apresentou a escolha como uma forma de se posicionar contra Flávio Bolsonaro, que avançou para o segundo turno presidencial.

A mudança teve peso simbólico porque Otoni havia adotado anteriormente uma postura de oposição contundente a Lula. Reportagens sobre sua trajetória relembraram declarações feitas pelo parlamentar em anos anteriores e sua posterior afirmação de arrependimento pela maneira como havia se referido ao petista.

Benedita também ficou fora do Senado

O resultado eleitoral também atingiu uma candidatura que Otoni havia apoiado publicamente. Durante a campanha, ele manifestou apoio a Benedita da Silva (PT-RJ), que disputou uma das duas vagas do Rio de Janeiro no Senado.

Benedita não conseguiu se eleger. As duas cadeiras ficaram com Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL), segundo os resultados divulgados após a apuração.

O cenário do Rio de Janeiro terminou, portanto, com representantes ligados ao PL conquistando as duas vagas disponíveis para o Senado, enquanto Otoni também ficou fora da Câmara.

Derrota encerra dois mandatos consecutivos

Com o resultado de 2026, Otoni de Paula deverá encerrar no início de 2027 um período de dois mandatos consecutivos como deputado federal. Sua trajetória inclui passagens anteriores pela Câmara e uma atuação política marcada por mudanças de posicionamento ao longo dos últimos anos.

O resultado das urnas colocou o parlamentar entre os candidatos que não conseguiram renovar o mandato, apesar de ter ocupado uma cadeira durante toda a legislatura atual.

A declaração de apoio a Lula passou a fazer parte do contexto político da eleição, mas o desempenho eleitoral deve ser analisado considerando também as características da disputa proporcional, a composição partidária e a distribuição dos votos no estado.

O dado objetivo da eleição é que Otoni passou de 158.507 votos em 2022 para 19.364 em 2026 e não garantiu uma nova cadeira. A partir de 2027, sua atuação política deverá ocorrer fora da Câmara, em um cenário nacional que agora se volta para o segundo turno presidencial e para a formação do novo Congresso.

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