PF reage às críticas de Fux e Mendonça e contesta tese de atuação paralela

PF reage a declarações de Fux e Mendonça sobre suposta “PF paralela” no STF

A Polícia Federal recebeu com discordância as declarações dos ministros Luiz Fux e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre uma suposta estrutura paralela dentro da corporação que teria atuado no monitoramento de integrantes da Corte. O tema ganhou força durante a sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (15), em Brasília, em meio às discussões relacionadas às investigações do Banco Master.

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, integrantes da cúpula da Polícia Federal avaliam que, até o momento, não foram apresentados elementos concretos capazes de comprovar a existência de uma estrutura independente dentro da instituição com a finalidade de acompanhar ministros do Supremo.

Direção da PF contesta interpretação

A reação interna da corporação também envolve o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. De acordo com a apuração publicada pela imprensa, Rodrigues teria recebido as críticas com serenidade e mantém o entendimento de que sua atuação ocorreu dentro das atribuições legais do cargo.

A avaliação atribuída à direção da PF é de que os investigadores seguiram procedimentos institucionais e cumpriram determinações judiciais relacionadas às apurações em andamento. Dessa forma, a corporação rejeita a interpretação de que teria existido uma iniciativa organizada para monitorar ministros do STF.

Essa versão, porém, contrasta com os questionamentos apresentados durante a sessão extraordinária. As declarações dos ministros passaram a colocar no centro do debate a forma como determinadas informações produzidas pela PF foram obtidas, processadas e encaminhadas ao Supremo.

Fux questiona documentos enviados ao Supremo

Durante sua manifestação, Luiz Fux demonstrou preocupação com a maneira como informações produzidas pela Polícia Federal chegaram ao STF. O ministro mencionou possíveis “desvios de finalidade” e questionou especificamente o encaminhamento de um documento que classificou como apócrifo.

Fux também defendeu que a Polícia Federal observe os limites institucionais existentes na relação com o Poder Judiciário. Segundo o ministro, que integra o Supremo desde 2011, ele nunca havia presenciado uma situação semelhante envolvendo a corporação e integrantes da Corte.

A manifestação ocorreu no contexto das discussões sobre o afastamento de Andrei Rodrigues e sobre documentos produzidos durante as investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendonça fala em “PF paralela”

André Mendonça apresentou uma avaliação ainda mais contundente. Durante o debate, o ministro afirmou que existiria uma “PF paralela” direcionada ao monitoramento de ministros do Supremo.

A declaração teve ampla repercussão porque Mendonça já havia determinado anteriormente o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A medida provocou divergências entre integrantes do próprio STF e passou a fazer parte de uma disputa institucional mais ampla.

Até o momento, entretanto, a existência dessa suposta estrutura paralela permanece como uma alegação apresentada pelo ministro. As informações públicas mencionadas no debate não estabelecem, de forma definitiva, a criação de uma unidade clandestina ou independente dentro da Polícia Federal com essa finalidade.

Banco Master está no centro da controvérsia

Parte importante da discussão envolve relatórios e informações produzidos durante as investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os pontos questionados estão mensagens recuperadas durante as apurações e a forma como determinados documentos chegaram ao conhecimento do Supremo.

Enquanto Fux apontou questionamentos sobre os procedimentos utilizados, a versão atribuída à Polícia Federal é de que os materiais foram encaminhados em cumprimento a determinações judiciais.

A divergência evidencia que existem, neste momento, interpretações diferentes sobre a regularidade dos procedimentos e sobre o significado dos relatórios elaborados pelos investigadores.

A sessão de 15 de setembro também foi marcada por divergências entre ministros sobre a atuação da Polícia Federal e os limites das investigações envolvendo integrantes do próprio STF.

A eventual confirmação de irregularidades dependerá da análise dos documentos, dos procedimentos adotados e das decisões judiciais que ainda serão tomadas. Até que haja uma conclusão institucional baseada nesses elementos, a chamada “PF paralela” deve ser tratada como uma alegação apresentada durante o debate no Supremo e contestada pela direção da Polícia Federal, e não como um fato definitivamente comprovado.

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