Polêmica de Zezé Di Camargo com o SBT une emissoras de TV em solidariedade à família Abravanel

A polêmica envolvendo o cantor Zezé Di Camargo e o SBT transformou-se em um dos episódios mais comentados do fim de 2025 no meio artístico e empresarial. O caso ultrapassou o campo do entretenimento, gerou reação imediata do mercado de televisão e expôs, de forma explícita, as tensões políticas que hoje atravessam a mídia brasileira. O episódio mostrou como declarações feitas nas redes sociais podem rapidamente evoluir para crises institucionais com impactos concretos na carreira de artistas consagrados.

Vídeo nas redes sociais dá início à controvérsia

No início de dezembro de 2025, Zezé Di Camargo publicou um vídeo em suas redes sociais criticando duramente o SBT pela presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes no evento de lançamento do SBT News. O tom adotado pelo cantor foi considerado agressivo e ofensivo, especialmente ao utilizar a expressão de que a emissora estaria “se prostituindo”.

A fala viralizou em poucas horas e provocou reações imediatas tanto do público quanto de profissionais do setor de comunicação. Para muitos, Zezé ultrapassou o limite da crítica política e partiu para um ataque direto à instituição e à família Abravanel, controladora do SBT, colocando em xeque uma relação construída ao longo de décadas.

Ataque direto e rompimento público com a emissora

Além das declarações polêmicas, Zezé afirmou publicamente que não se sentia mais confortável em manter vínculos com o SBT. Como consequência, pediu o cancelamento do tradicional especial de Natal que já estava programado para a grade da emissora, um produto que historicamente registrava bons índices de audiência e forte apelo comercial.

O anúncio causou surpresa no mercado, já que o cantor sempre foi tratado como um dos artistas mais prestigiados da casa. O rompimento público foi interpretado como um gesto extremo e expôs o desgaste imediato da relação entre o artista e a emissora.

Resposta rápida do SBT e cancelamento do especial

Diante da repercussão negativa, o SBT reagiu com rapidez. A emissora confirmou oficialmente o cancelamento do especial “Natal é Amor com Zezé Di Camargo” e destacou que não compactua com ataques desrespeitosos nem com declarações que coloquem em risco sua credibilidade institucional.

Internamente, a decisão foi vista como necessária para preservar a imagem do canal e proteger suas lideranças. Executivos reforçaram que o evento de lançamento do SBT News teve caráter institucional e jornalístico, sem qualquer viés de militância política, e que a presença de autoridades faz parte do diálogo democrático.

União rara entre emissoras e reação do mercado

Um dos pontos mais emblemáticos do episódio foi a reação do mercado de televisão. Informações de bastidores indicam que donos e executivos de emissoras concorrentes entraram em contato com Daniela Beyruti e Patrícia Abravanel para manifestar solidariedade e apoio ao SBT.

Em um setor historicamente marcado por disputas intensas por audiência e publicidade, o gesto chamou atenção. Analistas interpretaram a atitude como um recado claro: ataques públicos e desqualificação institucional não seriam tolerados, independentemente da relevância ou popularidade do artista envolvido.

Retratação do cantor e dúvidas sobre sinceridade

Com a escalada das críticas, Zezé Di Camargo divulgou uma nota de retratação. No comunicado, afirmou que utilizou a expressão “se prostituindo” em sentido figurado e que não teve a intenção de ofender diretamente o SBT ou a família Abravanel. O cantor pediu desculpas e reconheceu que suas palavras poderiam ter sido mal interpretadas.

Apesar disso, parte do público e de profissionais do setor questionou a autenticidade do pedido. Para muitos, a retratação soou como uma tentativa de conter danos à imagem e à carreira, e não como um reconhecimento pleno do erro cometido.

ABERT se manifesta e reforça defesa da imprensa

A controvérsia ganhou ainda mais relevância após a manifestação da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). Em nota oficial, a entidade repudiou as declarações do cantor e defendeu a liberdade de imprensa e o respeito às instituições jornalísticas.

Segundo a ABERT, ataques verbais a veículos de comunicação enfraquecem a confiança do público no jornalismo e criam um ambiente hostil ao debate democrático. A intervenção ampliou o alcance do episódio, tirando-o do campo do entretenimento e inserindo-o em uma discussão institucional mais ampla.

Possível “geladeira” e reflexos na carreira

Nos bastidores, cresce a avaliação de que Zezé Di Camargo pode enfrentar um período de afastamento informal das grandes emissoras, a chamada “geladeira”. Convites para programas, especiais e participações tendem a se tornar mais raros no curto prazo.

Embora seja um nome consolidado da música brasileira, especialistas lembram que o mercado televisivo valoriza relações institucionais sólidas e postura pública responsável. Em um cenário político polarizado, declarações impulsivas podem comprometer parcerias construídas ao longo de anos.

Um episódio simbólico da era digital

Mais do que um embate entre um cantor e uma emissora, o caso escancara os riscos da exposição pública em tempos de redes sociais. A polêmica envolvendo Zezé Di Camargo evidencia como opiniões pessoais, quando expressas sem filtro, podem rapidamente se transformar em crises institucionais.

O episódio já é visto como um marco recente da televisão brasileira, ilustrando como política, entretenimento e mídia se misturam de forma explosiva e exigem cada vez mais cautela de figuras públicas.

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