A postura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois da derrota na eleição presidencial de 2026 foi avaliada negativamente pela maioria dos brasileiros que acompanharam o episódio. Segundo a pesquisa “O Brasil depois das urnas”, realizada pela Quaest e divulgada neste domingo (8), 60% dos entrevistados que disseram conhecer a declaração do parlamentar consideraram que ele se comportou mal diante do resultado das urnas.
O levantamento também revelou que 70% dos eleitores tinham conhecimento de que Flávio questionou o processo eleitoral e chegou a se autodeclarar presidente do Brasil em uma carta divulgada após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os números mostram que a repercussão da manifestação alcançou uma parcela expressiva da população e provocou avaliações negativas entre a maioria daqueles que souberam do episódio.
Carta de Flávio Bolsonaro provocou repercussão
Após a confirmação da vitória de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro declarou que pretendia pedir a anulação do resultado da eleição. A manifestação ocorreu em meio às críticas feitas pelo senador ao processo eleitoral.
Dois dias depois, em 27 de outubro, o parlamentar deixou o Brasil e viajou para os Estados Unidos. Já em território americano, divulgou uma carta na qual utilizou a expressão “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
A declaração provocou reações no cenário político e nas redes sociais. Diante da repercussão, o texto foi posteriormente alterado, e a expressão foi substituída por “líder do Brasil”.
Maioria desaprova questionamento das urnas
A pesquisa também perguntou aos entrevistados se aprovavam ou desaprovavam a decisão de Flávio de questionar o resultado eleitoral. Nesse levantamento, 59% disseram desaprovar a atitude do senador, enquanto 34% afirmaram aprová-la. Outros 7% não souberam ou preferiram não responder.
Os dados indicam que a contestação do resultado encontrou resistência entre a maioria dos entrevistados, embora uma parcela significativa tenha demonstrado apoio à postura do parlamentar.
O estudo também comparou a avaliação sobre Flávio com a reação dos brasileiros ao comportamento de Jair Bolsonaro após a derrota presidencial de 2022. Naquele levantamento, 45% consideraram que o ex-presidente havia agido mal, enquanto 41% avaliaram sua postura de maneira positiva.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas
A pesquisa “O Brasil depois das urnas” ouviu 2.004 pessoas entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro de 2026. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
Os resultados mostram como as declarações feitas após uma eleição podem influenciar a percepção pública sobre os candidatos e suas lideranças políticas.
No caso de Flávio Bolsonaro, a contestação do resultado e a carta divulgada nos Estados Unidos se tornaram dois episódios centrais para a avaliação de seu comportamento depois da derrota. Os números da Quaest revelam que, entre os eleitores que tiveram conhecimento da autodeclaração, a avaliação negativa foi predominante.
