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O crescimento do número de pessoas em situação de rua registradas no Cadastro Único (CadÚnico) voltou a colocar em evidência os desafios sociais enfrentados pelo Brasil e a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à população em maior vulnerabilidade. Dados divulgados pelo governo federal mostram que, entre o fim de 2022 e junho de 2026, o total de pessoas cadastradas nessa condição passou de cerca de 198 mil para mais de 392 mil, representando um aumento próximo de 100%.

Os números chamaram a atenção de especialistas, gestores públicos e entidades que atuam na área da assistência social. Embora os registros indiquem uma expansão significativa, pesquisadores ressaltam que o CadÚnico não corresponde a um censo da população em situação de rua, mas sim a um cadastro administrativo utilizado para identificar pessoas de baixa renda e permitir o acesso a programas sociais.

Segundo especialistas, o crescimento pode refletir diferentes fatores. Além de um possível aumento da população vivendo nas ruas, os dados também podem indicar o fortalecimento das ações de cadastramento realizadas pelos municípios e a ampliação da cobertura do próprio sistema. Dessa forma, a evolução dos registros deve ser analisada considerando tanto as condições sociais quanto as mudanças na capacidade de identificação dessa população.

Desde 2023, o número de novos cadastros tem apresentado crescimento contínuo. Para analistas da área social, esse comportamento reforça a necessidade de monitoramento permanente e da adoção de políticas públicas integradas para enfrentar os desafios relacionados à pobreza extrema, à falta de moradia e à exclusão social.

Entre os fatores apontados para explicar o cenário estão as dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população, mudanças no mercado de trabalho, problemas relacionados ao acesso à habitação e o aperfeiçoamento das estratégias de busca ativa realizadas pelos municípios para localizar pessoas que anteriormente não estavam cadastradas.

Ao longo do atual mandato, o governo federal anunciou medidas voltadas ao atendimento dessa população. Uma das principais iniciativas foi o lançamento do Plano Nacional Ruas Visíveis, que reúne ações nas áreas de assistência social, saúde, habitação, trabalho, educação e cidadania. Também foram implementadas medidas para ampliar o acesso de pessoas em situação de rua aos programas sociais, incluindo ajustes nas regras de prioridade para ingresso no Bolsa Família.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social afirma que parte do aumento registrado decorre do aprimoramento do próprio CadÚnico. Segundo a pasta, houve investimentos na capacitação de entrevistadores, modernização do sistema e incentivo para que estados e municípios atualizassem cadastros e identificassem pessoas que ainda não estavam registradas. O ministério também argumenta que, em anos anteriores, parte dessa população poderia não ter sido contabilizada devido à subnotificação em diversas localidades.

Pesquisadores, por sua vez, observam que os registros administrativos são importantes para orientar políticas públicas, mas defendem que sua interpretação seja feita em conjunto com outros indicadores sociais. Dessa forma, é possível obter uma compreensão mais ampla sobre a evolução da vulnerabilidade social e sobre a efetividade das ações implementadas pelos diferentes níveis de governo.

Independentemente das causas que contribuíram para o crescimento dos registros, os dados reforçam a importância de manter o acompanhamento contínuo da população em situação de rua. Especialistas destacam que o enfrentamento desse desafio exige atuação integrada entre União, estados, municípios e organizações da sociedade civil, com políticas voltadas à assistência social, saúde, moradia, qualificação profissional e geração de renda.

Nos próximos anos, a atualização permanente do CadÚnico e a avaliação dos programas destinados à população em situação de vulnerabilidade deverão continuar desempenhando papel fundamental na formulação de políticas públicas e na identificação das necessidades desse segmento da sociedade, contribuindo para orientar ações voltadas à inclusão social e à redução das desigualdades.

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