Venezuela atualiza balanço dos terremotos para 1.430 mortos, mais de 3 mil feridos e milhares de desabrigados. Equipes internacionais reforçam operações de resgate.
A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente. O governo do país divulgou neste sábado (27) um novo balanço oficial dos terremotos que atingiram o território venezuelano nesta semana, informando que 1.430 pessoas morreram, enquanto mais de 3.000 ficaram feridas. Além disso, aproximadamente 3.100 moradores perderam suas casas em consequência da destruição provocada pelos tremores.
As operações de busca seguem em ritmo intenso nas regiões mais afetadas. Bombeiros, militares, voluntários e equipes internacionais trabalham de forma ininterrupta na esperança de localizar sobreviventes entre os escombros de prédios que desabaram durante os abalos sísmicos.
Terremotos ocorreram em menos de um minuto
Segundo as autoridades, os dois terremotos aconteceram em um intervalo inferior a um minuto.
O primeiro registrou magnitude 7,2, enquanto o segundo atingiu 7,5, com epicentros separados por cerca de cinco quilômetros, nas proximidades da cidade de El Guayabo, localizada a aproximadamente 168 quilômetros da capital, Caracas.
Especialistas explicam que a baixa profundidade dos tremores contribuiu para ampliar os danos. Quando um terremoto ocorre mais próximo da superfície, a energia liberada chega com maior intensidade às áreas urbanas, aumentando o potencial de destruição.
Como os abalos atingiram regiões densamente povoadas, o impacto sobre a população foi ainda mais severo.
La Guaira concentra parte da destruição
Entre as cidades mais atingidas está La Guaira, onde diversos edifícios desabaram ou sofreram graves danos estruturais.
O aeroporto internacional de Caracas também precisou interromper temporariamente suas operações por questões de segurança, enquanto equipes técnicas realizavam inspeções nas instalações.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram ruas cobertas por destroços, veículos destruídos e equipes de emergência atuando em diferentes pontos da cidade.
Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, pelo menos 383 edifícios foram completamente destruídos ou sofreram danos estruturais significativos. As autoridades afirmam que ainda existem pessoas presas sob os escombros.
ONU acompanha situação e alerta para grande impacto humanitário
A dimensão da tragédia também mobilizou organismos internacionais.
Estimativas da Organização das Nações Unidas indicam que até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas direta ou indiretamente pelos terremotos.
Somente na região metropolitana de Caracas, aproximadamente dois milhões de moradores sentiram os efeitos dos fortes tremores.
Outro dado que preocupa é o número de desaparecidos. Segundo o Escritório de Ajuda Humanitária da ONU, mais de 50 mil pessoas ainda aguardam confirmação de sua situação, número que poderá sofrer alterações à medida que as equipes avancem nas buscas.
Brasil e outros países reforçam operações de resgate
A resposta internacional ao desastre continua crescendo.
De acordo com o governo venezuelano, mais de 1.600 socorristas estrangeiros já chegaram ao país em 17 voos humanitários, levando equipamentos especializados, medicamentos e materiais destinados às operações de resgate.
O Brasil também participa da força-tarefa. Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) desembarcou na Venezuela transportando médicos, cães farejadores, especialistas em salvamento e equipamentos utilizados na localização de vítimas soterradas.
Além do Brasil, outros dez países anunciaram apoio às ações humanitárias, enquanto cerca de 14 mil militares e policiais venezuelanos foram mobilizados para atuar principalmente na região de La Guaira, considerada o epicentro da destruição.
Enquanto o trabalho das equipes de resgate continua, especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos alertam que o número de vítimas ainda pode aumentar. Diversas áreas permanecem isoladas ou de difícil acesso, e centenas de estruturas seguem sendo vistoriadas. A prioridade das autoridades permanece concentrada no resgate de sobreviventes, no atendimento às famílias afetadas e na assistência às milhares de pessoas que perderam suas casas em uma das maiores tragédias naturais já registradas no país.
