Operação Coffee Break: PF mira corrupção no MEC e encontra filho adotivo de Lula em endereço alvo
A manhã de 12 de novembro de 2025 começou turbulenta no cenário político brasileiro. A Polícia Federal deflagrou a Operação Coffee Break, uma mega ação que cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e seis prisões preventivas em São Paulo, Distrito Federal e Paraná. A ofensiva, autorizada pela 1ª Vara Federal de Campinas, investiga um esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e corrupção envolvendo áreas estratégicas do Ministério da Educação (MEC), sob comando do ministro petista Camilo Santana.
As investigações apontam para uma teia organizada formada por empresários, lobistas e agentes públicos que articulavam núcleos empresarial, político e financeiro. O objetivo: superfaturar contratos de materiais escolares e liberar verbas indevidas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Encontro inesperado: PF encontra filho adotivo de Lula em endereço de alvo
Um dos momentos mais surpreendentes da operação aconteceu durante o cumprimento de um mandado em um imóvel ligado à Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao entrar na residência, os agentes federais se depararam com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho adotivo de Lula e ex-marido de Carla.
Segundo relatos internos, o encontro foi tranquilo. Marcos não é investigado, não estava citado em qualquer mandado e se encontrava no local por razões familiares, já que o imóvel funciona como ponto de contato entre ele e a ex-esposa.
Carla Ariane, que foi casada com Marcos entre 2010 e 2015, se tornou figura central no núcleo político do esquema investigado. Ela teria atuado como lobista, pressionando por liberações de recursos do MEC e usando sua proximidade com nomes influentes do governo.
Carla Ariane, a “Nora” citada em mensagens: influência, propina e verbas do MEC
De acordo com a PF, Carla aparece em anotações dos investigados com os codinomes “Nora” e “amiga de Paulínia”. Ela teria intermediado repasses federais para favorecer empresas suspeitas, em especial a Life Tecnologia Educacional, sediada em Piracicaba.
Embora não tenha sido alvo de mandado de prisão, Carla é investigada por tráfico de influência e participação ativa no direcionamento de contratos públicos. Mensagens obtidas com autorização judicial e quebras de sigilo indicam que ela recebia pagamentos mensais entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para atuar em nome de empresários interessados em verbas do MEC.
O coração do esquema: Life Tecnologia, contratos milionários e lavagem de dinheiro
No centro da operação está o empresário André Gonçalves Mariano, dono da empresa Life Tecnologia e preso preventivamente. Para a PF, Mariano é o principal articulador das fraudes. Ele teria pago propinas para manipular licitações em prefeituras como Sumaré e Hortolândia, direcionando contratos de livros, uniformes e materiais escolares.
Os desvios eram lavados por meio de empresas de fachada, num esquema que movimentou milhões e gerou prejuízo significativo aos cofres públicos. Mariano mantinha contato constante com prefeitos e secretários municipais, garantindo liberação rápida de pagamentos e superfaturamento sem obstáculos administrativos.
Outro nome que chama atenção nas investigações é Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) na Gamecorp, investigada na Lava Jato. Irmão do ex-prefeito de Campinas, Jacó Bittar, Kalil é apontado como articulador chave para abrir portas no governo federal após 2022. Documentos revelam que ele recebia “mesadas” de Mariano e tinha seu nome usado por Carla para influenciar decisões internas.
Kalil foi alvo de buscas, mas não de prisão.
Vice-prefeito, secretário municipal e ramificações políticas
Entre os presos estão figuras de destaque no cenário municipal:
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Carlos Augusto César, vice-prefeito de Hortolândia
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José Aparecido Ribeiro Marin, ex-secretário de Educação de Sumaré
Ambos são acusados de direcionar licitações em troca de propina. A investigação indica que o esquema opera desde 2020, mas ganhou força após a posse de Lula, com maior acesso a órgãos federais e fluxo ampliado de verbas educacionais.
A operação conta com apoio da CGU e da PM de São Paulo, reforçando a gravidade das irregularidades.
Impacto político e silêncio do Planalto
A Operação Coffee Break reacendeu o debate sobre influência familiar e política no governo federal. Apesar disso, a PF enfatiza que nem Lula nem seus filhos são investigados no caso.
O Planalto, até o momento, não se pronunciou oficialmente. Aliados do governo, porém, já classificam os desdobramentos como “perseguição seletiva”, ampliando o clima de tensão em Brasília.
Com as apurações sob sigilo, espera-se que novas ramificações surjam nas próximas semanas, podendo envolver corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O episódio — marcado pelo encontro inesperado entre agentes federais e um familiar do presidente — expõe o delicado equilíbrio entre transparência, poder e privacidade, lembrando que a política brasileira continua longe de dias tranquilos.
