Lula Insiste na Indicação de Jorge Messias ao STF Mesmo com Resistência no Senado
A disputa pela próxima cadeira no Supremo Tribunal Federal abriu uma nova frente de tensão entre o Palácio do Planalto e o Senado. Determinado e pouco disposto a recuar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém, de forma firme e estratégica, o nome de Jorge Messias como seu escolhido. Mesmo diante de avisos claros de líderes partidários e análises internas sobre a dificuldade de aprovação, Lula tem repetido a aliados que não mudará sua decisão. O tema virou prioridade no núcleo político do governo e elevou ainda mais a temperatura em Brasília.
Apostando em Jorge Messias: o nome de confiança pessoal de Lula
Jorge Messias, atual advogado-geral da União, não é apenas um técnico de carreira. Para Lula, ele representa lealdade, alinhamento e previsibilidade — três características que o presidente considera fundamentais para ocupar uma cadeira no Supremo. A decisão é vista internamente como uma escolha pessoal, construída ao longo de anos de convivência política.
Além da confiança, Messias tem outro trunfo: é evangélico. Em um Congresso onde a bancada evangélica cresce em influência e ocupa posições estratégicas, o governo acredita que esse perfil pode suavizar resistências e até conquistar votos improváveis. Com o ambiente político cada vez mais polarizado, Lula aposta que o fator religioso ajude a desmontar narrativas da oposição, especialmente as que acusam o governo de afastar grupos conservadores.
Contudo, dentro do governo há uma percepção clara: mesmo com esse diferencial, o caminho de Messias não será simples. A resistência cresce em blocos e partidos que tradicionalmente negociam com o Planalto, o que acende um sinal amarelo no entorno presidencial.
Sinais de Alerta no Senado: votos escassos e recados velados
No Senado, o ambiente é considerado hostil para a indicação. Líderes do Centrão e de partidos independentes vêm avisando ao governo que o apoio mínimo necessário — 41 votos — não está garantido. A recente votação de Paulo Gonet, reconduzido ao comando da Procuradoria-Geral da República por 45 votos a 26, foi vista como um termômetro preocupante. A leitura política foi direta: se uma indicação tida como técnica passou com margem apertada, uma escolha mais politizada, como Messias, enfrentará uma batalha ainda maior.
Esse recado tem sido repetido em reuniões reservadas por senadores experientes. A avaliação é que Lula pode estar subestimando resistências silenciosas, especialmente de parlamentares que desejam marcar posição de independência diante do governo.
Diante desse cenário, outros nomes começaram a circular nos bastidores, entre eles o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Considerado moderado e habilidoso no diálogo institucional, Pacheco agrada a parte do Congresso e é visto como uma alternativa “de consenso”. No entanto, Lula descarta completamente essa possibilidade. A razão é política: o Planalto teme que Pacheco utilize o posto no STF como plataforma para disputar o governo de Minas Gerais em 2026, o que fragilizaria a base lulista no estado.
Influência no STF e disputas futuras fazem o Planalto insistir
A insistência de Lula em Messias ocorre em um momento no qual o governo tenta recuperar protagonismo em áreas estratégicas. Com a economia avançando lentamente e pressões inflacionárias causando desconforto popular, o Planalto busca garantir, no Judiciário, maior estabilidade e previsibilidade.
Uma vaga no STF não é apenas simbólica — é estratégica. Nos próximos anos, temas complexos devem voltar ao plenário, incluindo:
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regulação das redes sociais
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decisões trabalhistas sensíveis
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mudanças ambientais impactantes
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questões fiscais e orçamentárias
Para Lula, ter um ministro alinhado aos princípios do governo ajuda a manter coerência nas pautas estruturantes do país. Essa visão reforça a determinação em bancar Messias até o fim.
Oposição reage: acusações de aparelhamento e disputa narrativa
Enquanto o governo se articula, a oposição tem utilizado a indicação como munição política. Perfis conservadores e parlamentares ligados ao bolsonarismo acusam Lula de tentar “aparelhar o STF” e fortalecer uma ala alinhada ao Executivo. Nas redes sociais, a narrativa de que Messias seria um ministro “do governo” ganhou tração, alimentada por influenciadores e deputados que enxergam na escolha um movimento de fortalecimento do lulismo no Judiciário.
Apesar das críticas, o presidente não demonstra disposição para recuar. Aliados do Planalto afirmam que Lula considera a resistência parte natural do jogo político e acredita que a votação será apertada, porém viável.
Nos bastidores, a frase que circula entre ministros e articuladores políticos resume o clima: “Será Messias.”
Resta saber se essa convicção será suficiente para superar o tabuleiro complexo do Senado ou se a pressão crescente poderá, em algum momento, forçar o governo a recalcular a rota.
